sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cap. 1

Caramba! Já se passaram duas semanas desde que eu cheguei em Londres. Pessoas diferentes, lugares diferentes, costumes diferentes. Nos primeiros dias pensei que ficaria deslocada, sem saber o que fazer. Ainda bem que não foi assim. Mal posso acreditar que com apenas três dias aqui consegui um trabalho, na loja de cd’s e livros Hear & Read.


Minha nova família é magnífica, os Collins são demais. A senhora Collins já me vê como uma filha J, isso é muito gratificante. O casal possui dois filhos, a Emily, que tem a minha idade, e o Asher (gostei desse nome, é diferente ;-P ). Asher é mais velho, está na faculdade, ele faz direito... quer dizer, a faculdade, o curso que ele faz.


No começo acho que a Emily não gostava de mim! Não sei, acho que por eu ser brasileira, ela deveria achar que eu andaria de qualquer jeito por ai. Mas isso foi apenas impressão.

Estamos em julho, aqui está no verão e é também período de férias. Oh, esqueci de dizer que acabei de ganhar este diário da família Collins. Eles me disseram que é uma tradição da família e que todos possuem um diário. Legal né? Não agüentei a ansiedade e aqui estou eu escrevendo nele.


Mas voltando no tempo, essas duas últimas semanas foram de total adaptação em todos os sentidos, fuso horário, comida, pessoas.


No meu trabalho (cá entre nós, um ótimo trabalho) eu ouço música praticamente o dia inteiro. O meu chefe disse que é bom para mostrar confiança aos clientes, quando conhecemos o produto que vendemos. Assim eu posso ouvir e ler os lançamentos.

Só um pontinho negativo, tive que adiantar meu relógio em 10 min., para não chegar atrasada. Ainda bem que assim nunca mais me atrasei (funcionou ;-P)


Asher e Emily tem uma ‘quase’ banda. O motivo da quase é que falta aquele vocalista. Depois de me ouvir cantar no chuveiro (pagando aquele mico) me convidaram pra cantar com eles (eu pensei que fosse brincadeira, ninguém nunca me chamou para cantar assim), ainda não dei uma resposta.


Trouxe meu violão junto. É meu amigo inseparável. Ele sempre está comigo.


Mas , hoje aconteceu algo engraçado (quer dizer, pros outros, porque pra mim foi uma

tragédia sem PREÇO). Lá estava eu, andando pelo centro de Londres com meu companheiro, amigo fiel, inseparável : meu violão. Íamos felizes. Quando alguém esbarrou em mim. Acho que ninguém sabe o quanto ralei e economizei pra comprar aquele violão.

Ele era importado, tinha seu próprio afinador, naquela sua cor única, o qual me ajudou a compor tantas músicas (sniff), não sei como Le se desgrudou de mim, como ele me largou daquela maneira? Eu o amava, sempre trocava suas cordas. Ele caiu tão longe de mim, e aquele homem, ele não merecia ter tirado carteira de motorista.


A cena era digna de Hollywood, tudo acontecia em câmera lenta. Um estranho esbarra em mim, meu violão caiu no meio da avenida, um homem, em caminhão e pedaços de madeira por todos os lados. Foi uma cena chocante. Meu violão, meu lindo violão se fora...


Já estava no meio da avenida pra pega-lo, não vi o sinal aberto, quando olhei o carro estava perto demais, senti alguém me suspender do chão e me tirar dali. Essa não! Tive que esperar o sinal fechar e sair correndo em direção aos restos espalhados do dito cujo.

-Meu violão! –disse quase chorando, e acabando de pegar as peças espalhadas pelo asfalto. Corri e me sentei em um banco do outro lado da rua, com os restos dele. Um rapaz veio em minha direção.

-Tudo bem com você?-reconheci ser ele que havia esbarrado em mim e também o que havia me colocado na calçada. –Me desculpe pelo que aconteceu –sem graça.

-Ta ok. –um pouco pálida.

-Tem certeza?

-Mais ou menos –concentrada no que restara do meu violão.

-Por favor, não fique assim –tentando me fazer melhorar (e foi em vão).

-Como não ficar assim –desolada –Eu dei duro pra comprar esse violão. –desabafei.

-Me desculpe. –preocupado –eu posso dar um jeito.

-Como? Acho que não se pode fazer mais nada. Ele já era. –choraminguei.

-Eu compro outro pra você –se sentando ao meu lado.

-O que? –passando a olhar para ele (esse rosto me é familiar, me lembra alguém! E eu gosto desse alguém).

-Posso comprar outro pra você –me olhando profundamente.

-Olha só –tentando explicar. –eu não posso. Ele era único, ninguém será como ele. –voltando a olhar para o violão.

-Estamos falando da mesma coisa?

-Sim! –disse seriamente –meu violão.

Olhando fixamente para ele.

-Eu te conheço de algum lugar –falei.

-Sei –disse me esnobando.

-Não! Sério, eu conheço você. É daquele filme, que faz o maior sucesso.

Ele apenas me olhava com aquela cara de mais-uma-fã.

-E quem você acha que eu sou?

-Taylor –tentando lembrar o nome –você fez papel de lobo, certo?

-É –sério.

-Desculpe se isso te irrita, é que eu te reconheci e só –desconcertada.

-Tudo bem, é que eu fico sem graça quando as meninas começam a gritar.

-Sei.

-Mas aqui na Inglaterra não tem muito disso. –esboçando um sorriso.

Eu apenas sorri para ele.

Mas sabe o que não dá pra acreditar? Eu, euzinha, eu Lucy esbarrei em uma pessoa famosa. Tenho que me gabar um pouco, isso não acontece todos os dias J.

-Olha, vamos em alguma loja de instrumentos, eu compro um violão novo pra você –disse calmamente.

-Comprar um novo? –a ideia era tentadora, mas eu resisti –não, não!

-Porque não? É o mínimo que posso fazer por você.

-Acho melhor não. Eu tenho algum dinheiro, eu cuido disso. –olhando para o relógio. –Não acredito to atrasada. –estava em pânico, tinha que correr para o metrô –Desculpa Taylor, mas eu tenho que ir agora. –pegando minhas coisas e saindo dali.

-Não! Espera –me seguindo. Tem um famoso me seguindo? Não acredito! –Preciso fazer algo por você.

-Não, não precisa –andando mais rápido que pude.

-Hei –pulando na minha frente – me diga ao menos o seu nome e onde posso encontrá-la.

-To atrasada –passando pela entrada do metrô.-

-Por favor –me seguindo novamente.

-Lucy!

-Onde posso encontrá-la Lucy?

-No mesmo local de hoje.

-A que horas?

-O mesmo.

Foi a última coisa que falei, o tem já estava partindo e tive que correr. Sorte a minha.


Eu já disse que trabalho na Hear & Read? Lugar excelente. Lá é incrível, tem todos os tipos de músicas, livros... Meu chefe o senhor Proust é bem legal, foi graças a uma conversa da senhora Collins com ele que eu consegui esse emprego.


PARA TUDO!!!!


O que aconteceu foi real? Não dá pra acreditar.


Taylor (não me lembro o sobrenome) é, daquele filme mesmo, o lobo... ele... ele... nós... Essa não! Eu fui muito mal educada :-0 , ele deve achar que eu sou doida.


Eu dei de cara com o sonho de consumo de todas as garotas e... e... NÃO!!!

Será que algum dia hei de vê-lo novamente? (perdida em meus pensamentos).

-Olá! –disse alguém.

-Ahn... –voltando a realidade.

-Será que poderia me informar o preço desse CD?

-Ahn claro. –fiquei super sem graça, claro!


Meu dia no trabalho foi normal, vendi e indiquei alguns livros.

Quando cheguei em casa, minha surpresa: esse diário. É! E nem é meu aniversário ou alguma data comemorativa.


Bom... fim do dia! Hora de dormir, já passam das 22h aqui. Ainda não estou com sono. Mas se eu não for dormir, amanhã não terei um bom dia.

2 comentários: